sábado, 5 de setembro de 2026

James Dean e a filha de Epstein

 JAMES DEAN E A FILHA DE EPSTEIN 



Estava em casa naquele ostracismo bacana e meditativo que só a atividade da escrita e uma boa viagem antiestresse social com a mochila nas costas me trazem.

Apesar das caronas estarem arriscadas e perigosas na sociedade atual, uma boa fuga e espairecida numa poltrona de ônibus é revigorante, aquelas no caminho do nada. 

Mas sabe como é, estava longe e afastado das anfetaminas, álcool e afins de estimulantes sintéticos.

A desintoxicação necessária para o além.

Como era a minha folga dupla e ainda por cima carnaval, enviei mensagem para uns quatro amigos trabalhadores, pais de família, aqueles que namoram e são “caretas”, chegarem aqui em casa para tomar um café e, como de costume, não responderam ou não poderiam, o que tanto faz, é um saco. Os bons te abandonam, as feras da noite aparecem.

Iria ficar na rede da sacada tomando um chá, fumando um baseado colombiano e criando parágrafos e frases para mídias sociais, quando toca o telefone. Olho e é o Dean. Atendo.

E aí cara, tudo bem? Quer perder uma ficha?

Eu sabia que aquilo iria acabar num punhado de drogas e putaria, excluindo a desculpa do bilhar. Mas também sei, do fundo do meu coração de beatnik, que essa parte estava me fazendo falta. Contudo, relutei a princípio.

Não vou sair, cara. Estou poupando.

Mas assim, você está poupando o espírito?

Dean é persuasivo. Respondi:

Sim! Acho que também estou poupando o espírito! Algum problema?

Mas eu tenho uma coisa séria para te contar!

E não teve jeito. O meu espírito BEAT falou no meu ouvido e transmiti ao Dean.

Okay, te encontro ali no Mice Cave em cinco minutos.

Cheguei lá no horário. Dean estava sentado e ativamente frenético pelo que queria me contar.

Depois dos cumprimentos iniciais, falei rápido.

Legal Dean, mas desembucha logo o que você quer me dizer, antes que esse lugar infle dos habituais gays, travestis e lésbicas e não possamos conversar.

Dean disse:

Descobri que a filha brasileira do Epstein mora aqui do lado e é a minha cliente! Pedi a Deus essa ajuda no meu projeto atual, e Ele me deu esse presente! Só que agora não sei o que fazer!

Como foi isso?

A cliente estava me devendo, fiz uma pesquisa com os dados dela e cheguei nesta informação! Ela tem ligação direta e hereditária com o Epstein!

Cara, acho assim, você tem que ficar longe disso! Sabe aquela máxima “diga-me com quem andas que eu te direi quem és!”.

Sim, mas a gente pode escrever uma boa história e ir morar em Genebra!

E se não for só isso. A mina não é filha e sim faz parte de uma rede secreta! Macabra!. Ela contratava meninas? Ou talvez foi uma das abusadas mantida agora pela instituição Epstein?

Sim. Preciso aprofundar a pesquisa.

Esses caras são um milhão de vezes mais perversos que os nazistas!

Sim! Porque lá havia uma guerra!

Perversidade grau elevado. Só não estava na mídia!

Não sei cara. Vamos jogar!

E começou a tríade do desapego aos sentidos.

Nós jogamos, cheiramos no banheiro, fomos para o On the Beach, Dean descolou duas graduadas do litoral para vir na casa dele, fomos no Caribbean over Fire, tomamos ácido vendo novinhas dançando funk e assim foi a deslumbrante noite.

Afinal, é carnaval no Brasil.

Cheguei na casa do Dean, o castelo depravado e decadente, louco para mijar a cerveja para fora. Entrei no banheiro e estava tudo escuro, mijei tudo na tampa do vaso que caiu de repente sobre a cuba de porcelana..

Não tinha água nas pias.

Não tinha água para lavar a louça, a pia abarrotada de louças sujas.

A casa é um emaranhado de mangueiras por todo o piso.

Estava morto de fome e tive que improvisar, lavando o que iria usar para jantar na pia do banheiro.

Tinham dois vidros sobre o fogão. Não pensei duas vezes: coloquei as panelas sobre eles e acendi o fogo para cozinhar o arroz e as salsichas e os ovos.

Dean entrou mijar e pegou na tampa e disse: Puta que pariu, que nojo! Você mijou em todo o vaso! Você não sabe como tenho nojo dessas coisas! Vai se fuder!

E eu ria preparando o arroz com salsicha, molho de tomate e ovos cozidos.

Dean entrou na cozinha e disse:

Que isso, cara? Você está cozinhando no vidro!

Achei que fosse para isso.

Você é um animal! É o vidro que eu cozinho quetiapina para as putas!

Como eu vou saber.

Agora espere esfriar, senão vai estourar! Seu burro!

Nós comemos o jantar e Dean foi para o notebook na sala.

Olhando a Grazi, a mina que vem pra cá amanhã, a cabeça do meu pau parece um balão na Capadócia.

Deixa eu ver essa caiçara. Belo exemplar!

E a outra.

Dá uma foda.

Você tem tadala aí?

Claro!

Dean, estava pensando. E se no lugar que eu sumi as pessoas trocavam de nomes?

Como assim?

Os filhos do tráfico! Crianças pobres que trocam lugar com crianças ricas porque alguém da família está devendo para o tráfico!

Você não tem empatia mesmo cara! Amor de pai e mãe é o maior amor que existe!

Acha que iriam trocar filhos?

Sei lá.

Dormi na rede.

Acordei com as galinhas cacarejando e galo cantando e cabra no Bé.

Fiz um café preto, tomamos eu e Dean, fumamos alguns cigarros enquanto esperamos as caiçaras graduadas para aquela putaria típica.

Agora estou na rede pensando sobre a filha brasileira do Epstein. Por mais filho da puta que o Dean seja, ele me traz boas histórias.

Tirei ele da pesquisa que ele está faz

endo na internet e disse:

Posso, por gentileza, ler o que escrevi?