sábado, 5 de setembro de 2026

Se há dois anos Deus

Se há dois anos Deus tivesse dito aos meus ouvidos que saiam de um período de grande turbulência emocional e financeira “Filho amado, você vai prosperar no Cheiro Verde Bistrô, haverá mudanças e dificuldades, mas quando você se olhar, em dois anos, e tiver feito a sua parte, a semeadura lhe será reconfortante e inimaginável!”
Pensaria eu, ali naquele momento em meu quarto, que era alguma zomba de algum espírito zombeteiro ao meu pensamento estressado nos pés de ouvidos corroídos pela discórdia de uma esperança vaga.
Pois bem, Pai todo justo e sábio, sou grato por o Senhor me prover saúde agora para afirmar que trabalho nos quatro melhores restaurantes de Americana, em lista: Tijuca, Cantina di Pérgola, Giorno Benedetto e Dal Giardino.
Sou grato porque faço 50% a mais de um ganho mensal almejado que alí julgava impossível de atingir.
Não é o que você fala para Deus, porque somos débeis em nossos pensamentos imaturos, e sim como o escutamos e, aprendendo a escutar, a gente ora com a fé inabalável.
E estou feliz, esta noite, por ter um Pai imenso em justiça e amor e estou orando para Ele.


O Tijuca implementou os telefones para tirarmos os pedidos das bebidas nas mesas e as comandas saírem direto no bar. Teoricamente isso é ótimo, mas penso agora que a nossa grande dificuldade, na prática, está na comunicação visual. Diferente do Cheiro Verde Gourmet, onde é possível enxergar a posição de todos os colaboradores no salão, no Tijuca, pela customização feita na construção do restaurante, ficamos sem saber, quem está separando as bebidas no bar, bem como, onde estão os demais colaboradores no salão, e vice e versa. Quem está no salão não enxerga o bar. A comunicação visual de posicionamento é absolutamente necessária e importante num restaurante. Teremos que agir como grandes em equipe para entregar o que o cliente merece: um excelente atendimento. E o faremos.


Estava concentrado, estudando a composição do Tortelli de Zucca no cardápio da Cantina 
E me veio à memória uma fala de uma personagem num romance que estou escrevendo 
Ela diz:
Acredito piamente no sonho de ter uma companheira legal, viajar por lugares incríveis e escrever vários livros 
E estava chuviscando ali na rua em frente a Cantina e eu esperava você passar
Como se espera o sol secar a água molhada no asfalto 
Disse para uma colega que a luz deveria estar bonita lá fora
E elas saíram ver o arco-íris 
E vi você passando e olhando por debaixo do seu guarda chuva as cores
E pensei
Que composição leva o meu sangue acelerar tanto 
E você não me percebeu ali te observando 
E o meu curto tempo ao seu lado
Se compôs em cores que iriam se diluir no céu 
E percebi
Amar alguém que se vai é como elaborar um prato que não podemos saborear 
Acho que a amo como um perímetro de um coração que não se cabe.

Coisas boas acontecem, viram fotos instamangraveis, 
Meus eletrodomésticos voltaram a funcionar 
Eu ri algumas vezes 
Tenho diversos motivos para agradecer 
Mas na real, estou triste para um caralho 
E amanhã irei acordar cedo, atender no restaurante lotado com a melhor educação que eu tenho 
Porque não podemos nos dar ao luxo de entristecer 
Não podemos nos dar ao luxo de estar mal
Nem ao menos de simplesmente cansar
Porque a vida pede praticidade 
E o operacional não pausa
E o triste não é belo e tampouco instamangravel
E isso é uma hipocrisia 
E realmente o ruim do mundo 


Eu irei te contar um lance, mas é tipo um segredo. Guarde para você.
Eu e a minha namorada estávamos de mudança pronta para Europa.
Não me continha a felicidade por dentro quando chegamos no aeroporto.
Vi o meu irmão sentado no café.
Não resistiu, né mano! Veio se despedir novamente da gente!
Ele fechou a cara. Olhou para Clara e disse:
Eu conto ou você conta?
O nosso chão desabava ali.
Não acreditei na hora.
Mas ele disse marcas íntimas de nascença que a Clara tem no corpo.
Ela se desesperou.
Eu só disse que a gente precisava embarcar.
Ela tentou me tocar no assento do avião.
Fazer com que eu olhasse nos olhos dela.
E Deus sabe, Deus sabe o quanto rezei em todas as línguas que conheço 
Pedindo perdão aos outros passageiros 
Pedi com o ardor da minha alma
Que aquele avião caísse no meio do oceano.


A gente estava pronunciando os nossos sonhos
Sentados numa roda ao lado da fogueira que se queimava, soltando estalos no ar, no sítio do papai.
Quando chegou a minha vez 
Me levantei e me dirigi à frente de todos os demais mal encarados garotos e pronunciei com firmeza 
Eu vou ter um veleiro 
Escrever o nome dela no casco
A gente vai morar numa marina
E dormir com o balanço das ondas vendo o luar.


Imaginemos que nós ambos somos livros
E que podemos ler as nossas histórias várias e frequentemente vezes num mesmo dia 
Cada surpresa que você me apresenta 
É uma nova linha feita no pingo
Que molha todo o bem estar contigo
E a gente se reescreve em beijos e abraços 
Que nunca teriam sido escritos por outrem.


Te espanta as minhas mãos frias nas suas mãos quentes 
Mas você não as retira de prontidão, movimento que me tornaria desamparado, você prolonga aquele deleite, e, ainda me pergunta: Nossa! Está gelado lá fora?
Poderia explicar que a provável causa térmica foi o contato com a garrafa da long-neck tomada há pouco 
Contanto a verdade 
É o contraste da sua alma de cor quente
No meu sangue de poeta.
Onde o existencialismo se torna um dentro e fora 
Entre mim e você.


A sua mesa da sala com essas coisas todas em cima, sei lá, às vezes me assusta.
São objetos de proteção.
Mas a proteção, na real, está no coração. E um pouco no cérebro. Não é?
Por essas e outras falas, quero você por perto. Por tempo indeterminado.

Essa noite 
Sonhei que as suas pernas eram tranças 
Que sufocavam cada tentativa minha de respirar 
E quebravam os meus ossos como uma sucuri 
E sonhei 
Que estava bom entrar com você na água gelada 
E foi aí que começou a queda.


Há uma região no Norte da Itália chamada
Valle d’Aosta
Escrevi sobre como almoçamos, eu e um amigo, num restaurante elegante dali
Mas você não existia em minha vida
E é esquisito 
Porque hoje o momento mais feliz da minha vida
É te ter por perto e ao meu lado
É como a história do riacho para Fernando Pessoa 
Houve certa vez que me compararam ao poeta Português 
Eu só queria que você me comparasse
Com pizza de morango em calda de chocolate 
No frio do Norte da Itália
Quando chego ao seu lado.


O restaurante doa refeições no fim do turno para quem aparece com necessidade. Uma cliente me abordou dizendo: “Que trabalho bonito vocês estão fazendo, assim, eles poderiam estar trabalhando, mas né …”
Quem conhece um pouco a minha história deve entender o que vou expor.
Às vezes, penso que a minha vida hoje incomoda um bocado de gente que deveria tirá-la como exemplo.
Sou portador, há anos, de umas quatro deficiências neurológicas que eu poderia usar como muleta para não trabalhar.
O trabalho cansa? Pra um caralho!
Poderia estar fazendo academia agora, mas estou com o corpo cansado.
Estava voltando para casa pela avenida com as compras.
Um cara que conheço, que aliás tem trabalho, atravessou a rua para me pedir cigarro.
Disse para ele: me ajuda carregar as compras até em casa que te dou o cigarro.
O homem me encheu de injúrias.
Na área de restaurante, para quem tem comprometimento, não faltam vagas.
E é assim em tantas outras que escuto.
Então a pergunta é?
Até quanto o nosso trabalho é bonito?
Quanto tempo leva para a doação se tornar um vício feio de comportamento em quem a recebe?
As pessoas querem o reconhecimento e o ganho sem o comprometimento e o custo para tê-los.
Muitos brasileiros aprenderam a ser folgados e continuarão sendo até tomarem uma chacoalhada.


Escolhi um trabalho sem burocracia e isto não significa que não ocorram algumas chateações.
Pessoas me perguntam situações que me deixaram bravo no atendimento.
Irei relatar duas bem recentes.
Eu estava com uma pilha de pratos na minha mão esquerda e com quatro copos na minha mão direita, passei ao lado de uma mesa e o cliente perguntou: “você atende?”.
Eu disse, só um momento.
Passados poucos minutos, me lembrei e voltei lá.
O senhor, com rosto sisudo, me disse: “Agora não precisa mais!”
Isso não é legal mesmo, lembrem-se.
Uma outra situação.
Uma cliente pediu quatro copos e somente um com limão espremido.
Cheguei na mesa com o pedido dela, e de mais duas mesas, na bandeja.
Ela falou que o copo do limão era com gelo também, e eu tinha um copo só com gelo na bandeja, mas era para outra mesa.
Imagina o que aconteceu?
A mulher pegou o copo da minha bandeja e eu tive que retornar ao bar fazer outro copo com gelo para o outro pedido.
Sabe, não guardo rancor.
Só estou relatando para demais leitores que têm empatia com o próximo, compartilharem comigo um:
“Deixa pra lá! Este tipo de pessoa deve ter uma vida muito, muito triste.”



Podcast Papo com Augusto 
Estava conversando com uma vizinha da minha mãe, e ela ia me dizendo de uma conhecida em comum do grupo de estudos que desencarnou esses tempos.
“Sabe? Aquela que tinha um marido que não gostava muito da filha deles porque ela é da elite e se juntou com um plebeu?”
E continuou:
“Se você tivesse uma filha, você ia querer que ela se casasse com um rico, ou com alguém que cuidasse dela?”
Respondi 
Se forem pais instruídos e esclarecidos, teriam optado com gosto pela segunda opção.
Mas
Estava no Podcast Papo com Edilson 
E no trabalho, os esclarecimentos parecem mais vividos, sabe como é 
A questão é que cuidar bem está correlacionado ao dinheiro.
Supondo assim:
Se você tem um moleque, seu filho, que é bom de bola, você vai querer que o seu menino seja jogador, ou irá instruí-lo ser um atendente, alguém no chão de fábrica, alguém que trabalha em restaurante?
Seguindo a mesma linha de raciocínio 
A sua menina linda, a sua filha princesa 
Aparece um playboy cheio da tocha na sua casa
E tem um José ninguém do seu bairro que gosta muito dela,
Qual dos dois você prefere para cuidar bem da sua menina?


A primeira premissa é que não somos do mesmo mundo 
E sou grato a Deus por isso
Deixa eu explicar 
Faz oito meses que não saio curtir uma sexta e sábado de noite 
E o porquê é que trabalho nestes horários 
Então que moral tenho que dar ou receber de alguma mulher que eu encontrei nestes dois dias e que sai todo final de semana nestes horários?
Zero
Porque este é o meu mundo e estou satisfeito com ele
Com quem convivo e encontro nele
Com quem formaremos algo dentro dele
E escrevi estas linhas sentado ao lado dos motoboys da pizzaria debaixo de casa 
Porque esse é o meu mundo 
E é com quem compartilho conexões e irei viver de verdade.


"Um regador de plástico verde
Para regar uma planta falsa chinesa
Em um planeta artificial
Que ela comprou de um homem de borracha
Em uma cidade cheia de planos de mentira
Para se livrar de si mesmo
Isso a desgasta"


“Levante sua torre
Não estamos todos apavorados?
Pedras, exiba sua preocupação
De algo que jamais encontrará
Não deixe que isso te engane
Não deixe que isso te engane assim
Dançando por aí, dobras em seu vestido de gala”


Estou indo até a esquina do teu planeta 
Baixando a guarda por alguns instantes 
Está tão pesado aqui que estou indiferente 
Tenho jeitos esparsos de me expressar 
Porque seria direto demais dizer que gosto de você 
E a sua resposta poderia ser como uma pedra lançada no lago
É assim mesmo quando o medo entrelaça os paradigmas da minha memória 
E a emoção de te enxergar é mais forte que a razão de te tocar
Mas baixei a guarda e estou indo.


As coisas mudam 
Isso é uma máxima 
Há menos de uma semana 
Tinha freela em três restaurantes
Não por demérito das minhas habilidades 
No momento, não tenho em nenhum mais 
Simplesmente 
As coisas não saíram na realidade como um dos lados esperava
É assim quando a gente enfrenta, sente o medo, mas age 
Acima de tudo age.


Estou pensando que se eu aplicar uma grana por um tempo não necessariamente eu queira abrir um negócio no ramo de restaurantes.
Talvez eu queira ingressar num mestrado e depois no doutorado numa Universidade Federal ou Estadual.
Bons horários, bom salário e um trabalho intelectual e de comunicação também.
A grana seria para me manter durante um período de uns 5 anos.
Essa é uma conversa íntima e pública agora.
Eu sabia que a partir do momento que eu me formasse com 22 anos na época, eu não teria apoio financeiro para mais nada que não fosse pelo esforço do meu trabalho dos meus pais.
Aquilo me deixou angustiado, sabe.
Para alguns essa data limite vem aos 18 anos.
Para outros, praticamente na infância.
Dizer
“Você vai ter um teto para dormir e alimentação não vai faltar, mas mais que isso é por você”
É uma educação um pouco dura, não acham?
Consegui duas bolsas na graduação, mas a minha iniciação científica não foi contemplada com bolsa e acabei não dando continuidade.
Porém o meu currículo acadêmico Lattes ainda é muito forte e atual.
Deixa a água correr por debaixo da ponte.
Mas não irei me esquecer disso aqui não.



Hoje no Podcast Papo com Edilson 
Explanamos sobre uma das situações mais verdadeiras sobre a superfície da Terra 
(Não há maior felicidade para uma mulher do que ficar viúva).
Dissertamos sobre nós mesmos
“Se eu morrer, a minha mulher vai ficar triste?”
Não! Ela vai vir aqui e tomar 5 chopp!!!
E a gente ria


Nai
Tudo bem?
É tanta correria 
Notificações, conteúdos 
Que acho que essa mensagem irá 
Passar batida na grade das suas msgs.
Se eu pudesse me sentar com você 
Para te dizer que eu gosto de você 
Que me faz bem estar ao seu lado
E que as minhas ideias e planos 
Se esclarecem quando tais momentos ocorrem.
Vejo tanta gente neste mundo mentindo uma vida que não é a delas
Pessoas forjando para si mesmas histórias para disfarçar uma vida infeliz 
E aqui está um cara
Íntegro em sentimentos com as palavras 
Sem mentir uma vida que não é a dele 
Dizendo que gosta de você.
Estou envergonhado por escrever isso
Mas todos os grandes planos passam pela fase do medo
E é inegável que neste momento você é parte do meu medo e dos meus planos.
Vou respeitar o seu posicionamento
Eu gosto de você.


Deitei confortavelmente me aconchegando entre três travesseiros e coberto por um cobertor fino.
Senti você por perto e começamos a conversar por pensamentos.
Presumi que a minha escrita, não sendo mais mensagens para você,
Porque você de fato está ao meu lado, 
As minhas personagens podem expressar maldade.
Umas das maiores tragédias da minha vida ao teu lado
Seria que um dia você dissesse “para quê isso tudo?”
E eu entendesse que não faz sentido investir em milhares de frases de Instagram 
E em treinar bons livros 
Sendo que você está aqui comigo 
E podemos tirar férias deste mim forçado.


Dormi entre as letras 
E sonhei o teu nome
Como os ponteiros
Que contavam o tempo
Longe de você.


Sabe, foi quando enlouqueci, no meio da natureza, em um momento de clara lucidez, pedi a alguém e a Deus um cachorro.
Eu sou grato ao Criador dos mundos pela existência dos cachorros. Por esses seres nos mostrarem lições de amor puro e incondicional.
Temos um cliente que chega em condições deploráveis de higiene no restaurante.
Aquilo causa desconforto em todos.
Eu não sabia que ele enfrenta problemas de saúde.
Todos passamos ou passaremos por essas.
E atendendo eu vi um cachorro ou cadela esperando no lado de fora do restaurante.
Ela é devota àquele homem quando todos, inclusive eu, o querem afastado.
Os cachorros não lhe trarão um copo d’água ou um prato de comida, nem colocarão um soro no seu braço, mas eles são almas de pureza num mundo frio.
Quando eu enlouquecer da sociedade, espero que no momento que eu me deitar na grama, tenha um cachorro, com o seu focinho molhado ao meu lado.


João mostrou para Maria o desamparo de uma vida saudável, a vida que ela tinha na roça. Maria trouxe a delicadeza, João, a aspereza da posse.
João tinha a ambição de crescer pelo consumo. Maria queria um filho.
Vieram para cidade sentir o desenvolvimento em seus corpos duros e gordos.
A rotina de trabalho sem vida social. 
João e Maria, fechados numa cela de grades, entregando o osso de frango para bruxa má, em lugar de um dedo humano gordo. Assistindo Reels de fuxico de vidas vazias ou desgraça qualquer mundana.
Agora não dá para seguir de volta os grãos de pão deixados pelo caminho.
Eles traíram o que existe de belo:
A natureza ingênua.


Num mundo fluido, o hábito não leva a perfeição, leva ao fracasso.
Obviamente acredito e participo de muitas convenções que são saudáveis e necessárias.
Caso o contrário, voltaria para mata.
Mas na verdade, o ser humano médio se acomoda numa vida de hábito por não ter uma cultura de existência vasta.
A resposta de estar bom ou não estar bom é correlacionado com o conhecimento do ser.
Portanto, o estar bom para alguns, é desagradável para mim.



Não foi fácil negar uma proposta que me faria conhecer um lugar novo e bonito.
Porém, na comparação de ganhos, eu não entraria ali com os bolsos tão mais cheios.
E a princípio, não é um lugar para carreira.
Como freela, em Americana, tenho o contato dos melhores, sabendo o bom ou o mau que cada um oferece, em equipe ou nos salários.
O fato é que não dá para medir de agora qualquer plano de carreira.
Trocar garçom por garçom, eu trocaria para ir a um lugar irado como o que por hora descartei.
Subir para gerente? Uma meta difícil nos restaurantes de Americana que conheço.
Continuar aplicando para abrir sociedade e ter o meu próprio lugar?
Whatever,
Pé no chão e trabalho duro.
Por enquanto é a regra.



Maurício é um homem de bem. Que isso esteja acima de qualquer suspeita nesta narrativa. 
Na tentativa de superar um pai que o abandonou na adolescência e de uma mãe que considera muito melhor a opinião e o conselho do filho mais velho, irmão de Maurício, o matuto se empenhou nos estudos.
Já leu tudo um pouco.
De Platão a Paulo Coelho.
Fez Universidade renomada.
Mas Mau tem no que pode-se dizer uma deixa de caráter.
Ele aprecia prostituta.
Porém, e isso é permuta dele entre o sentimento de amor com o tesão, ele não gosta de prostíbulos.
Maurício as encontra escondidas na vida pacata e cotidiana.
Então ele vai comprar o pão da manhã sem saber se irá encontrar o seu fetiche no balcão ou no caixa.
A vida de Maurício aparenta ser um tanto sem sentido com essa autoproposta masoquista de amor.
Mas eu torço para que ele não leve socos e pontapés, ou algo ainda pior, porque, como vos disse, Mau é um homem bom e de bem.



Maurício is a good man. Let that be beyond any suspicion in this narrative. In an attempt to overcome a father who abandoned him in adolescence and a mother who considers the opinion and advice of her older son, Maurício's brother, much better, the country boy dedicated himself to his studies. He's read a little of everything. From Plato to Paulo Coelho. He attended a renowned university. But Maurício has what could be called a character flaw. He appreciates prostitutes. However, and this is his exchange between the feeling of love and lust, he doesn't like brothels. Maurício finds them hidden in the quiet, everyday life. So he goes to buy his morning bread without knowing if he will find his fetish at the counter or at the cash register. Maurício's life seems somewhat meaningless with this self-imposed masochistic love. But I hope he doesn't get punched or kicked, or anything even worse, because, as I told you, Mau is a good and decent man.



Eu te pergunto se os filhos dele estão felizes porque o pai encontrou uma companheira, casou com ela e porventura irá dividir a herança com ela e com os filhos dela?
“Eu te digo, se os filhos dele fizerem por onde e estiverem bem de vida, eles não vão ligar para isso, não.”
Eu te respondo: se os filhos dele receberem todo o apoio emocional e financeiro para estudar e se formar nos melhores lugares para estarem bem como estão, eles não vão ligar mesmo. Agora, se não tiverem apoio, eles vão engolir um rancor mortal.




I ask you, are his children happy that their father found a partner, married her, and will eventually share the inheritance with her and her children? 
"I tell you, if his children earn it and are well-off, they won't care about that."
I answer you: if his children receive all the emotional and financial support to study and graduate from the best places to be as well-off as they are, they really won't care. Now, if they don't have support, they will harbor a deadly resentment.




Acho que não é uma boa escolha eu ficar doente, mas do que já sou obviamente, me drogar, fazer greve de fome, sei lá, largar o emprego, mudar de país (essa seria boa!), para que a minha família me note e porventura cuide de mim.
Eu tenho que assumir as consequências das escolhas que fiz.
Se as mesmas foram prejudicadas e influenciadas por um emocional em frangalhos, um ambiente de suporte desestruturado, tanto faz, é passado.
Tenho que ter honra pela confiança que me depositam no meu emprego.
Orgulho do que faço e seguir fazendo bem feito.
Ainda não sei o motivo do que fiz para que mesmo depois de eu quase ter morrido de fome ou frio, eu ainda ser tratado com frieza. Mas algum mal muito grande eu causei no coração dessas pessoas.
Então é ter entendimento.
Eu moro e vivo sozinho.
À tarde, janto qualquer coisa, tomo uma cerveja ou outra.
Tenho pouca reserva para emergência, é fato.
Não assisto televisão, uma benção.
Gravo os meus vídeos, o porquê, também não sei.
As contas da casa não atrasam, avante César.
Então para que ficar mais doente, se com o mal que lhes causei, Deus aínda concede a graça de vocês hora ou outra terem orgulho de mim.
Acho que as pessoas que concederam um pouco de tempo e oração a minha história vão compreender.
E bem e o resto, como no fim de Dom Casmurro.




A palavra miserable na língua inglesa expressa uma miséria em relação aos sentimentos.
Quando escrevemos um livro, estamos compartilhando sentimentos com pessoas que muito provavelmente estão vivendo, quando nós autores já morremos.
Então, seria a minha vida miserável, se eu não me desse conta, que no meu entorno de seres, existe em atitudes, muitas vezes desperdiçadas pela distração, inúmeras oportunidades de fazer rir ou chorar.
Deus levará, com certeza, mais em conta essas atitudes em vida que os meus livros escritos.
Às vezes, tento com exageros de mensagens. Com presentes fora de hora. O meu preferido toque são os olhares distantes.
Quase sempre incompreendidos e comparados com desequilíbrio e até loucura.
Penso quão caladas e castradas são milhões de mulheres por viverem ao lado de miserables homens.
Homens que não aprenderam a expressar e a ouvir. Homens “ocos”.
Ter a característica de decisão não significa ser um enorme boçal em relação a compreender e expressar sentimentos.
Essa vida é mesmo louca.
Mas como dizem: “a tampa está por aí!”



Sabe, caro leitor,
Estou fatigado da hipocrisia desta vida. E vou te contar o porquê.
Me apaixonei pela sociedade.
E sociedade, você sabe, ou casa com sociedade ou não casa.
Me apaixonei por quem quer subir para sociedade. Deu no que deu.
Daí, pensando que aprendi, resolvi entrar de corpo e alma na baixa.
Me apaixonei por uma de baixo, que não entende ou tem vivência de nada disso que estou te escrevendo e pasmem, não vingou em nada.
(O digníssimo leitor me respondeu).
“As suas duas primeiras colocações são tão óbvias que nem irei gastar as minhas palavras.”
“Deixa eu me concentrar um pouco na terceira.”
“Sabendo quem você é, a sua mulher em questão da (baixa) é gostosa.”
“No que só muda a perspectiva e não o resultado do que você julgava ter aprendido nas duas primeiras situações.”
“Ela quer um futuro bom para os filhos que porventura ela venha ter. Diferente do que aconteceu com ela.”
“Você é emocionalmente burro, sem mais.”



(Não irei publicar por motivos inteligíveis)
Ontem no Baobá teve um evento de senhoras com temática do Brasil e da Copa.
No meio do frenesi, enquanto estava trabalhando, fui paquerado e cantado por uma delas.
Obviamente fiquei constrangido. Desconversei e continuei trabalhando.
Daí fui refletir nas minhas atitudes e pensamentos em direção a outras pessoas.
Eu serei sincero no que escreverei agora:
Me deu asco se eu cogitasse ficar com qualquer mulher que não me atraí em química ou conteúdo somente porque ela tem dinheiro.
E pensei que posso estar magoando algumas mulheres que julgo, mas que porventura se sentiriam mal como eu me senti quando elas, muito mais que eu, obviamente, são assediadas no trabalho e fora dele.
As coisas saíram tanto do trilho que os humanos não se dão mais a chance de sentir o frio na barriga, a mão suar, o coração acelerado e faltar as palavras que você quer dizer. Esperar ansioso a mensagem fora de hora. Sentir o cheiro na blusa que ela esqueceu ontem. Ouvir que você pode usar a mesma escova de dente. E você fica feliz. Sabem, essas coisas chamadas “bobas” que na verdade são a grande diferença.
Porque virou um lance técnico e mecânico na grande maioria.
Eu sofro. Mas prefiro mil vezes ser a minoria. E também, irei combinar com alguém minoria.
Ponto.



Se você tiver um homem que te escolha como um Todo e não somente como uma parte
Que te permita a liberdade para dizer e agir, porque nisto reside a atração 
Pois o sábio nunca escolhe somente pelas aparências
Um botânico sabe além das cores de uma folha 
E é óbvio que o físico importa, senão os espíritos não teriam aparências
Mas a emoção resiliente que sempre permanecerá é daquele que te cativa e abraça na plenitude da tua feminilidade
Que aprecia-te dos teus gestos aos teus feitos
Que reconhece a tua fragilidade e a tua força que pontua os meus pensamentos 
Que são incompletos e incompreendidos quando veem as suas mãos na gola da minha camisa dizendo: “pausa”!
A mim, quieto neste mancebo escuro dessa sala
Me falta demonstrar o que digo
Porque eu sei te ver assim e você está distante.



Ela roubou a minha criatividade com a sua concha e pérola. E depois, percebendo o que ela havia perdido, com aquele maravilhoso sorriso dissimulado, ela disse movendo o rosto: "até logo!”



A vida é um emaranhado de sonhos trocados por conveniências. Por que para mim haveria de ser diferente?


Você sabe que está lidando com uma moeda forte, quando você guarda as moedas, bem guardadas.



O tempo passa como um raio no corpo eletrocutado! E em chamas! Ele tenta encontrar, passando os olhos pelas diversas bancas de comidas típicas, algo que sacie o estômago virado.
Os cheiros aguçam perniciosamente a sua memória de quando sentavam juntos, trocando juras com o testemunho da chuva.
A banda toca uma toada de forró pé de Serra e o homem se retorce com meninas e meninos dançando próximos uns dos outros ao lado da fogueira.
Ele, numa tentativa de não tremer, se aninha a uma das filas do caixa.
De repente, uma voz o chama.
“Galileu!” Ele permanece impávido, sem pronunciar uma única palavra ou mover o corpo.
“Olha, a Talita me disse que você não vai mais comprar o apartamento.” Ela balbucia um pouco os lábios. “Porque você não tem mais motivos! Não faz mais sentido!” E o encarando nos olhos, continuava: “Você pensou naquele tempo que eu fosse o seu motivo, não achou?”
Galileu, ponderou no que percorria o seu sangue naquele instante, e sem mais conter as emoções, disse: “É naquele tempo eu achei que fosse sim! Um bom motivo!”
Leonora, desfalecida em algum remorso que sentisse, disse: “Bom, pelo menos você poupou! É bom, não é?”
Galileu, imponente retrucou. “É uma pequena fagulha na tempestade! Não chega nem perto de eu poder proporcionar uma escola particular e bons médicos para o nosso filho!”
“Não se trata disso, Galileu! Você pode encontrar uma esposa que ela mesma proporcione esses privilégios ao filho de vocês dois!” E soluçando, disse: “Talvez formar vida no exterior! O que você sempre almejou!’
Leonora tentou tocar o rosto de Galileu, num movimento de suntuoso carinho.
“Não toque em mim!” O homem deferiu em ódio. “Sabe Deus do que você está infectada!”
Leonora, cabisbaixa, murmurou:
“A pandemia acabou, Galileu…”
Galileu disse rijo: “Para nós… ainda não acabou!”




A memória é uma instância do espírito um tanto sacana. 
Estava deitado no sofá da sala olhando a cruz da igreja através da sacada. Me deu uma saudade imensa do mar.
Tive a oportunidade de estar em frente a mares em três continentes, Americano, Europeu e Africano.
Eram momentos de transição, o que torna a sacanagem memorável e ainda maior, porque quando você desconhece para onde está indo, a experiência é infinitamente plausível porque existe a chance de ser a última e única vez. É mágico!
Então sabendo que pensar no mar não era como sentir o mar, resolvi me levantar e andar até a farmácia comprar um dos remédios.
Pensei em voltar para casa por um caminho menos óbvio. Estava passando do lado de uma choperia famosa e escutei o gerente começando falar com a equipe de metas de vendas. Acho que foi o estopim que fez a diferença no que vem adiante.
Passando em frente a um prédio muito chique, eu me lembrei de uma caixa, um caixote de madeira na nossa infância. Minha e do meu irmão mais velho.
Era uma caixa vazia dessas de carregar pêssegos, quem sabe.
Mas era a caixa que imaginamos construir juntos um avião.
Nós nos empolgamos no começo, fizemos ajustes no caixote, eu vibrei de alegria e falei que a gente iria precisar de um motor.
Meu irmão disse que não daria.
Foi tipo, era só brincadeira.
Nossa! Aquilo me decepcionou demais.
Pensei que a gente pudesse voar! Como assim?
Memória, sua sacaninha.
Agora eu me deitei aqui na rede depois de um banho quente.
Que sensação maravilhosa!
Mesmo não tendo o mar.
E mesmo não tendo você para conversar aqui comigo coisas da sua memória.
Os remédios estão pagos. O médico será pago. As contas estão pagas, e o que me desagrada, tem solução!
Só depende do meu esforço! E sair da zona de conforto, obviamente.
Eu não trocaria isso pelo mar, nem por você ao meu lado e nem por sonhar que caixas de pêssego com a companhia do irmão podem um dia voar como avião por entre nuvens no espaço.
Porque a experiência é uma vez só!
Então, dê valor a sua, okay?



Estava sentindo os garfos, e depois as facas, um tanto geladas nas minhas mãos depois do longo expediente do atendimento. Jogávamos elas numa bacia de plástico, com tantos outros talheres, após termos polido com o álcool e panos brancos.
Larissa veio andando ao lado da mesa e sentou-se. Começou a comer entusiasmada os pedaços de pizza, empilhados um em cima do outro no prato.
A luz está linda nos cabelos presos e no rosto dela.
Os garotos que estavam me ajudando começaram ofendê-la por ela estar comendo.
Larissa começou, soluçando devagar, um choro sentido.
Ali, naquele momento, eu entendi que a amava.
Os meninos saíram.
Eu olhava os talheres e não olhei para Larissa quando disse:
Você teve autorização para comer, não é?
Ela não conseguiu responder.
Então tá tudo certo. Não é?
Então ela falou baixinho:
Eu fico mal… essa falta de educação,..
Mas olha, as pessoas são assim mesmo. Eu falei, e neste instante olhei para ela. Eu queria abraçá-la, quando o gerente chegou e saí de perto.
Eu saí de perto por tempo demais.
Pois agora, tomando um copo com água e comprimidos, percebo com assertiva lógica, na solidão do meu sonho, que é um sentimento difícil de lidar não poder estar no lugar que a gente queria.
E minhas mãos estão geladas.
E o prateado dos talheres se apagou.
Quando ainda não tenho um choro para sanar no meu peito.



Foi o momento em que percebi a necessidade de arrumar as minhas melhores roupas e pertences de higiene dentro da mochila, guardar e arquivar os documentos necessários, vender os móveis do apartamento alugado, e aceitar a proposta do hotel do sul para me mudar para lá.
Ares de montanha para sanar o meu coração. Dessa vez empregado. Outra vez sozinho, mas com Deus, e ainda amadurecido pela dor.
Era a festa de confraternização do final do ano de 2025. Eu me vesti com cuidadosa elegância, entrei na empresa, cumprimentei os antigos e atuais colegas que ainda estavam trabalhando, e procurei com os meus olhos astutos por Larissa.
Estava ansioso e me encostei na bancada do bar. O barman puxou assunto comigo e nem percebi do que se tratava.
Então, Larissa veio da sacada e nos cumprimentamos movendo nossas mãos e balançando os dedos à distância. Ela estava linda, como sempre achei, porém disfarcei o entusiasmo me distraindo com o celular.
Eu comecei a sonhar, e foi a primeira vez que sonhei naquela noite.
Larissa sentada no nosso sofá, pelo sol de manhã, ajeitando cautelosamente as meias no torço dos seus tornozelos, minutos antes de sair para trabalhar.
Alguém me chamou, e retornei àquela realidade.
Os funcionários que estavam trabalhando foram se trocar e se ajeitar para a festa.
Quebrando todas as minhas expectativas, Larissa não veio sedutora do trocador.
Ela julga que eu não sei, mas ela fez esse movimento de propósito. Ela ia dançar e não queria estar atraente.
E dançou, de fato, e bastante e contagiante.
Era contagem regressiva para eu ir embora, fui me despedir, e Larissa disse:
Mas já! Pelo menos, dance uma música comigo!
Eu disse o que sabia dizer:
Dançar? Eu não sei dançar!
Ela chegou mais perto:
Vem! Eu ensino! É só me seguir!
E daí, eu sonhei pela segunda vez naquela noite.
Dançar sozinha com ela no alto de uma montanha com toda a natureza em volta.
Pingo de cachoeira, pássaros, vento de raios de sol e beijos. Milhares de beijos quentes e molhados.
Mas fadiga a alma, caro leitor, viver de sonho em sonho.
Preciso vender as coisas e partir para o sul.



Quero conhecer alguém que queira formar família na Europa, meu amigo!
“Sim! Porque o seu teto é alto. Quem conhece o que é bom não volta para trás”.
Como você diz: “você precisa aceitar quem você é primeiro”!
“Falo de experiência própria. Eu não pude viver uma família lá trás, com a Amanda e a minha filha Gabriela, porque eu não estava preparado. E agora eu posso, com a Suzana e a nossa filha que vem aí!”
Eu não irei aceitar alguém na minha vida se eu não puder oferecer o bom, não é?
“Sim. Cada um tem o seu teto! E o seu teto é alto! Cabe Europa”.
Porém, enquanto não dá por causa de documento, irei para o Sul! De maioria descendentes de lá!
“Pode dar certo. Não forme tantas expectativas. Lembre-se que sorte não é propósito”!
Deus me dará a segunda chance! Como fez com você e a Suzana e a filha linda de vocês que vem aí!
“Eu tenho certeza que Deus proverá!”
“Mas lembre-se que eu te dei uma segunda alternativa para você realizar as suas viagens e voltar a ter a vida que você teve lá atrás”.
Qual?
“Entrar num concurso público em Americana! Você volta a ganhar bem, com estabilidade e terá tempo de sobra para viajar! Você verá como a mulher que você procura aparece!”
“Vai por mim!”
Deus abençoe, meu amigo.
“Amém”!